03 junho 2026

Macacos sentinelas da Mata Atlântica: informação correta salva vidas

 



Texto: Cleuton Lima Miranda; Gabriel Carvalho Camargos; Nícolas Juan de Almeida Machado

A febre amarela voltou a preocupar em São Paulo. E, quando esse assunto aparece, uma coisa precisa ficar muito clara: macacos não transmitem febre amarela para as pessoas.

Eles são vítimas da doença, assim como nós. A transmissão acontece pela picada de mosquitos infectados, principalmente dos gêneros Haemagogus e Sabethes, que vivem em áreas de mata. Por isso, matar, perseguir ou espantar macacos não protege ninguém. Pelo contrário: além de ser crime ambiental, atrapalha o trabalho da saúde pública.

Na Mata Atlântica, os bugios ou guaribas (Alouatta guariba clamitans) costumam ser os mais afetados pela febre amarela. Muitas vezes, a morte desses animais é o primeiro sinal de que o vírus está circulando em uma região. Por isso, eles são conhecidos como sentinelas da doença.

Outros macacos da Mata Atlântica também podem ser afetados, como o macaco-prego (Sapajus nigritus), o sauá (Callicebus nigrifrons), o muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides) e os saguis. Em São José dos Campos, um deles merece bastante atenção especial: o sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita).

Pequeno, discreto e ameaçado de extinção, o sagui-da-serra-escuro ainda resiste em fragmentos de Mata Atlântica do município. Mas essa resistência não é simples. A espécie já enfrenta a perda de matas, o isolamento dos grupos, atropelamentos, contato com animais domésticos e hibridação com saguis invasores de outras regiões do Brasil.

A febre amarela chega como mais uma ameaça. E uma ameaça grave. Em populações pequenas, a perda de poucos indivíduos já pode causar grande impacto. A morte de um grupo inteiro pode significar o desaparecimento da espécie naquele fragmento.

Em São Paulo, há registros recentes de febre amarela em humanos e em macacos. No ciclo atual de monitoramento, os casos humanos confirmados ocorreram em municípios como Cruzeiro, Lagoinha, Cunha e Araçariguama. Em São José dos Campos, até o momento, não há notificação atual confirmada de febre amarela em macacos. Mesmo assim, o alerta continua. O CCZ de São José dos Campos segue monitorando a situação.

A população também tem um papel importante. Se você encontrar qualquer macaco morto ou muito debilitado não toque no animal. Não recolha, não enterre e não tente levar para outro lugar. Afaste pessoas e animais domésticos da área e acione imediatamente o CCZ ou os canais oficiais de saúde.

Para as pessoas, a principal proteção continua sendo a vacinação. A vacina contra a febre amarela é gratuita e está disponível na rede pública de saúde.

Macacos não são inimigos. São vítimas da febre amarela e ajudam a saúde pública a perceber quando o vírus está circulando na natureza.

Proteger os macacos é proteger a Mata Atlântica, a saúde pública e a vida silvestre de São José dos Campos.

 

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O projeto Ecomuseu dos Campos de São José é uma realização do CECP, o Centro de Estudos da Cultura Popular, com apoio da Prefeitura de São José dos Campos em parceria com a Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

26 maio 2026

Big Brother Saguis de SJC: O segredo do cardápio dos saguis de São José dos Campos - eles não vivem de banana!






Texto escrito por Cleuton Lima Miranda

Dando continuidade à nossa série sobre a vida enigmática do sagui-da-serra-escuro, Callithrix aurita, chegou a hora de descobrirmos o que realmente entra no cardápio desses pequenos primatas ameaçados que ainda resistem nas matas de São José dos Campos.

E já começamos quebrando um mito bastante comum: saguis não vivem de banana.

Apesar de muita gente associar esses animais às frutas oferecidas por humanos, nossas observações de campo mostram uma alimentação muito mais rica, variada e importante para o equilíbrio da floresta. Durante o monitoramento dos grupos em fragmentos urbanos e periurbanos de SJC, registramos indivíduos alimentando-se de jabuticabas, brotos, cigarras, insetos encontrados em flores e até buscando água diretamente em córregos da mata.

Algumas observações chamaram bastante atenção. Em uma delas, enquanto parte do grupo consumia frutos em uma árvore, uma fêmea carregando filhotes procurava pequenos insetos entre as flores, mostrando como esses primatas aproveitam diferentes recursos ao mesmo tempo. Também registramos adultos compartilhando alimento com os filhotes, que se deliciavam com cigarras, frutos e outros itens alimentares encontrados na mata. Esse comportamento é extremamente importante para aprendizagem alimentar dos jovens e fortalecimento dos vínculos sociais do grupo.

Mas nem tudo é tranquilidade durante a alimentação. Também observamos indivíduos oportunistas esperando outro sagui conseguir alimento para então tentar “furtar” pequenos pedaços. Sim… aparentemente existem saguis “espertinhos” em São José dos Campos também.

Outro ponto interessante é que alguns grupos chegaram a ignorar alimentos deixados próximos às áreas de observação, preferindo continuar buscando recursos naturais da floresta. E isso talvez seja uma das mensagens mais importantes do nosso trabalho: a floresta já oferece tudo aquilo que os saguis precisam para sobreviver.




Árvores nativas, flores, insetos, córregos e a própria biodiversidade da Mata Atlântica sustentam esses pequenos primatas há milhares de anos. Por isso, se realmente quisermos ajudá-los, o melhor caminho não é oferecer comida, mas sim preservar as matas que ainda existem e plantar árvores nativas que ampliem os recursos disponíveis e a conectividade entre os fragmentos florestais (manchas de matas).

E aqui fica um alerta importante: oferecer banana ou qualquer outro alimento pode causar sérios problemas à saúde desses animais, além de alterar o comportamento natural, aumentar disputas entre grupos e favorecer transmissão de doenças.

Por isso, se encontrar um sagui nas matas ou bairros de SJC, admire de longe. Respeitar o espaço desses pequenos moradores da Mata Atlântica continua sendo uma das formas mais importantes de ajudar na conservação da espécie.


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30 abril 2026

Ecomuseu dos Campos de São José alcança mais de 85% da meta de plantar 24 mil árvores

Foto: GestBio

 

Em abril de 2026, o Ecomuseu dos Campos de São José: reflorestando a trilha do Callithrix aurita, projeto criado e gerido pelo Centro de Estudos da Cultura Popular, o CECP, em parceria com a Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental, atingiu o marco de 20.471 mudas plantadas, mais de 85% da meta de plantar 24 mil árvores nativas da Mata Atlântica e Cerrado em corredores ecológicos urbanos no período de 2024 a 2028. O plantio beneficia diretamente a cidade e é parte de uma ação maior de conservação do Callithrix aurita, o sagui-da-serra-escuro, primata endêmico da Mata Atlântica e um dos 25 mais ameaçados de extinção no mundo.

Para a comunidade joseense, o reflorestamento significa mais sombra, ar mais limpo, rios mais saudáveis e temperatura urbana mais amena. Para o sagui, significa rotas de circulação seguras pela cidade, essenciais para a espécie se alimentar, se reproduzir e resistir à pressão de espécies invasoras que ameaçam sua genética.

O plantio foi realizado pela empresa GestBio e em mutirões comunitários abertos ao público. Agora, com as mudas no solo, o foco é garantir que cresçam saudáveis. A comunidade tem papel essencial: não arrancar, não jogar lixo próximo às mudas  e avisar ao Ecomuseu caso alguma esteja danificada. A programação completa do Ecomuseu, incluindo atividades como Rodas de Conversa, Horta e Compostagem Comunitárias, Feiras de Saberes e Fazeres, Encontros Musicais, dentre outras, está nas redes sociais. Siga e participe.



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O Ecomuseu dos Campos de São José é um projeto cultural de impacto socioambiental criado pelo Centro de Estudos da Cultura Popular (CECP) em parceria com a Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental  em 2015. Sediado em São José dos Campos – SP, o projeto atua diretamente em 28 bairros das zonas leste e sudeste da cidade, bem como na cidade de Jambeiro. Com o objetivo de promover o empoderamento comunitário e a valorização da paisagem cultural e natural do município por meio da identificação e valorização do patrimônio local, o Ecomuseu dos Campos de São José realiza e incentiva atividades que promovem o protagonismo comunitário.

29 abril 2026

Ecomuseu CSJ abre inscrições para Grupo de Estudos sobre Ecomuseologia e Museologia Comunitária

 

Atividade gratuita, com três encontros presenciais aos sábados, é aberta ao público a partir de 12 anos e aborda memória, patrimônio cultural e participação comunitária

 O Ecomuseu dos Campos de São José (CSJ) abre inscrições para o Grupo de Estudos sobre Ecomuseologia e Museologia Comunitária, uma atividade gratuita e presencial voltada para quem deseja conhecer mais sobre o papel dos ecomuseus, a história da Nova Museologia e a relação entre comunidade, memória e patrimônio cultural. As inscrições estão abertas e podem ser realizadas pelo formulário disponível na bio do perfil do Ecomuseu CSJ nas redes sociais.

Ao longo de três encontros realizados no Núcleo do Ecomuseu CSJ, os participantes terão a oportunidade de refletir e dialogar sobre temas como a história da Nova Museologia, conceitos fundamentais da Museologia, patrimônio cultural, ecomuseus, museus comunitários e, especialmente, a trajetória e os projetos do próprio Ecomuseu dos Campos de São José.

A proposta é criar um espaço de troca, aprendizado e construção coletiva de saberes, com foco na participação das comunidades na construção dos museus e na valorização do território. A atividade é voltada para pessoas a partir de 12 anos e não exige conhecimento prévio sobre o tema.

A iniciativa está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: ODS 4 – Educação de Qualidade e ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis.

 Sobre o Ecomuseu dos Campos de São José

O Ecomuseu dos Campos de São José é uma realização do Centro de Estudos da Cultura Popular (CECP), com apoio da Prefeitura de São José dos Campos e em parceria com a Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental. Com atuação voltada para a preservação e difusão do patrimônio cultural e natural da região do Vale do Paraíba, o Ecomuseu promove ações educativas, culturais e comunitárias que colocam as pessoas no centro da construção e gestão do museu.

SERVIÇO
Grupo de Estudos sobre Ecomuseologia e Museologia Comunitária
Datas: Sábados, 09/05, 11/07 e 01/08 de 2026, das 9h às 11h
Formato: Presencial
Público: A partir de 12 anos
Acesso: Gratuito, com inscrição prévia pelo link: https://bit.ly/Encontro_Virtual_Ecomuseologia
Local: Núcleo do Ecomuseu CSJ – Alameda Harvey C. Weeks, nº 203 – Vista Verde – São José dos Campos/SP

Site: www.ecomuseu.org.br

Contato: ecomuseu@cecp.org.br / comunica@cecp.org.br

Telefone: (12) 99677-5272

28 abril 2026

Big Brother dos saguis de SJC: territorialidade

Dando continuidade à nossa série sobre a vida enigmática do sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita) aqui em São José dos Campos, hoje mergulhamos no conceito de território - a "casa" onde esses pequenos primatas encontram segurança, comida e criam suas famílias. Como são animais rápidos e mestres em se esconder na mata, encontrá-los exige um truque de mestre: a técnica do playback. Os pesquisadores tocam gravações de outros saguis-da-serra-escuro em equipamentos que amplificam o som em até 200m na mata. Ao ouvirem o chamado de um suposto "vizinho folgado" invadindo o pedaço, os donos da casa respondem prontamente para defender o que é deles.


É importante saber que, para eles, o combate físico é o último e mais perigoso recurso de defesa territorial. Um confronto direto gasta muita energia e pode causar ferimentos graves, por isso, os saguis preferem o que chamamos de comportamento agonístico, um refinado "xadrez de sinais", onde a diplomacia da floresta resolve quase tudo no visual e no gogó. Nesse embate, eles usam táticas de intimidação como os gritos longos para avisar que a área tem dono, arrepiam os pelos para parecerem maiores e utilizam posturas de dominância que deixam claro quem manda ali. O confronto direto só acontece se toda essa encenação falhar.

Nossas observações de campo em SJC mostram que a estratégia muda conforme o "adversário". No bairro do Serrote, notamos que o tamanho do grupo faz diferença: grupos menores costumam recuar estrategicamente e até abandonar o momento de alimentação para evitar briga com grupos maiores. Já na Pousada do Vale, o clima esquentou um pouco mais: registramos disputas intensas por território e por fêmeas reprodutivas, onde a diplomacia não foi suficiente e os machos adultos chegaram, de fato, ao confronto físico.

   

Por serem animais extremamente sensíveis ao estresse e às doenças, o trabalho científico reforça um alerta importante: nunca tente atraí-los com assobios nem ofereça comida. Respeitar o espaço desses moradores ilustres de nossas florestas é a melhor forma de garantir que continuem nas matas de SJC, prestando seus serviços ecológicos tão importantes


Fique ligado, pois no próximo episódio traremos o cardápio desses incríveis primatas, disponível em nossas florestas. Até mais!

O projeto Ecomuseu dos Campos de São José é uma realização do CECP, o Centro de Estudos da Cultura Popular, com apoio da Prefeitura de São José dos Campos em parceria com a Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

TEXTO: Cleuton Lima Miranda, Nícolas Machado e Gabriel Camargo