29 abril 2026

Ecomuseu CSJ abre inscrições para Grupo de Estudos sobre Ecomuseologia e Museologia Comunitária

 

Atividade gratuita, com três encontros presenciais aos sábados, é aberta ao público a partir de 12 anos e aborda memória, patrimônio cultural e participação comunitária

 O Ecomuseu dos Campos de São José (CSJ) abre inscrições para o Grupo de Estudos sobre Ecomuseologia e Museologia Comunitária, uma atividade gratuita e presencial voltada para quem deseja conhecer mais sobre o papel dos ecomuseus, a história da Nova Museologia e a relação entre comunidade, memória e patrimônio cultural. As inscrições estão abertas e podem ser realizadas pelo formulário disponível na bio do perfil do Ecomuseu CSJ nas redes sociais.

Ao longo de três encontros realizados no Núcleo do Ecomuseu CSJ, os participantes terão a oportunidade de refletir e dialogar sobre temas como a história da Nova Museologia, conceitos fundamentais da Museologia, patrimônio cultural, ecomuseus, museus comunitários e, especialmente, a trajetória e os projetos do próprio Ecomuseu dos Campos de São José.

A proposta é criar um espaço de troca, aprendizado e construção coletiva de saberes, com foco na participação das comunidades na construção dos museus e na valorização do território. A atividade é voltada para pessoas a partir de 12 anos e não exige conhecimento prévio sobre o tema.

A iniciativa está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: ODS 4 – Educação de Qualidade e ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis.

 Sobre o Ecomuseu dos Campos de São José

O Ecomuseu dos Campos de São José é uma realização do Centro de Estudos da Cultura Popular (CECP), com apoio da Prefeitura de São José dos Campos e em parceria com a Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental. Com atuação voltada para a preservação e difusão do patrimônio cultural e natural da região do Vale do Paraíba, o Ecomuseu promove ações educativas, culturais e comunitárias que colocam as pessoas no centro da construção e gestão do museu.

SERVIÇO
Grupo de Estudos sobre Ecomuseologia e Museologia Comunitária
Datas: Sábados, 09/05, 11/07 e 01/08 de 2026, das 9h às 11h
Formato: Presencial
Público: A partir de 12 anos
Acesso: Gratuito, com inscrição prévia pelo link: https://bit.ly/Encontro_Virtual_Ecomuseologia
Local: Núcleo do Ecomuseu CSJ – Alameda Harvey C. Weeks, nº 203 – Vista Verde – São José dos Campos/SP

Site: www.ecomuseu.org.br

Contato: ecomuseu@cecp.org.br / comunica@cecp.org.br

Telefone: (12) 99677-5272

28 abril 2026

Big Brother dos saguis de SJC: territorialidade

Dando continuidade à nossa série sobre a vida enigmática do sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita) aqui em São José dos Campos, hoje mergulhamos no conceito de território - a "casa" onde esses pequenos primatas encontram segurança, comida e criam suas famílias. Como são animais rápidos e mestres em se esconder na mata, encontrá-los exige um truque de mestre: a técnica do playback. Os pesquisadores tocam gravações de outros saguis-da-serra-escuro em equipamentos que amplificam o som em até 200m na mata. Ao ouvirem o chamado de um suposto "vizinho folgado" invadindo o pedaço, os donos da casa respondem prontamente para defender o que é deles.


É importante saber que, para eles, o combate físico é o último e mais perigoso recurso de defesa territorial. Um confronto direto gasta muita energia e pode causar ferimentos graves, por isso, os saguis preferem o que chamamos de comportamento agonístico, um refinado "xadrez de sinais", onde a diplomacia da floresta resolve quase tudo no visual e no gogó. Nesse embate, eles usam táticas de intimidação como os gritos longos para avisar que a área tem dono, arrepiam os pelos para parecerem maiores e utilizam posturas de dominância que deixam claro quem manda ali. O confronto direto só acontece se toda essa encenação falhar.

Nossas observações de campo em SJC mostram que a estratégia muda conforme o "adversário". No bairro do Serrote, notamos que o tamanho do grupo faz diferença: grupos menores costumam recuar estrategicamente e até abandonar o momento de alimentação para evitar briga com grupos maiores. Já na Pousada do Vale, o clima esquentou um pouco mais: registramos disputas intensas por território e por fêmeas reprodutivas, onde a diplomacia não foi suficiente e os machos adultos chegaram, de fato, ao confronto físico.

   

Por serem animais extremamente sensíveis ao estresse e às doenças, o trabalho científico reforça um alerta importante: nunca tente atraí-los com assobios nem ofereça comida. Respeitar o espaço desses moradores ilustres de nossas florestas é a melhor forma de garantir que continuem nas matas de SJC, prestando seus serviços ecológicos tão importantes


Fique ligado, pois no próximo episódio traremos o cardápio desses incríveis primatas, disponível em nossas florestas. Até mais!

O projeto Ecomuseu dos Campos de São José é uma realização do CECP, o Centro de Estudos da Cultura Popular, com apoio da Prefeitura de São José dos Campos em parceria com a Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

TEXTO: Cleuton Lima Miranda, Nícolas Machado e Gabriel Camargo

27 abril 2026

Participe do próximo Encontro Virtual do Ecomuseu CSJ

 


O Encontro Virtual: Ecomuseologia reúne integrantes da Associação Brasileira de Ecomuseu e Museus
Comunitários (ABREMC) e equipe do Ecomuseu CSJ para um bate-papo sobre experiências
transformadoras de iniciativas Ecomuseológicas. 

Na conversa, será destacado o desenvolvimento social, comunitário e sustentável, da cultura e educação em todas as suas formas, e da apropriação e valorização do patrimônio cultural como instrumento de emancipação humana e social.

Com mediação de Maria Siqueira Santos, gestora do Ecomuseu CSJ, o encontro promove um espaço para trocas entre pesquisadores, agentes culturais, gestores e sociedade, contribuindo para a construção de caminhos coletivos de valorização do patrimônio, comunidade e território.

Faça sua inscrição gratuita aqui pelo Sympla e participe deste Encontro Virtual. 

A ABREMC
A Associação Brasileira de Ecomuseus e Museus Comunitários é uma entidade sem fins lucrativos, organizada sob a forma de sociedade civil e registrada no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas, na cidade do Rio de Janeiro, onde tem sede.

Promove a troca de experiências entre associados, incentiva cooperação e formação de agentes, desenvolve projetos com setores público e privado e fortalece ecomuseus e iniciativas comunitárias. Atua na valorização e gestão participativa do patrimônio, na preservação ambiental e cultural, na articulação com instituições e poder público e no fortalecimento de redes no Brasil e no exterior.

O projeto Ecomuseu dos Campos de São José é uma realização do CECP em parceria com a Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental


Encontro Virtual - Ecomuseologia

30 de abril, quinta-feira

Das 19h às 21h30

Transmissão on-line

Evento gratuito e aberto para todos os públicos

CECP/Ecomuseu dos Campos de São José 

Nos acompanhe em www.ecomuseu.org.br/ 

Alameda Harvey C. Weeks, 203 - Vista Verde - São José dos Campos - SP

Contato: (12) 99677-5272 - ecomuseu@cecp.org.br / comunica@cecp.org.br



05 abril 2026

Ações de conservação do sagui-da-serra-escuro em São José dos Campos

 

Foto: Ecomuseu CSJ - Rafael Augusto Silva

São José dos Campos abriga a maior população conhecida de Callithrix aurita, o sagui-da-serra-escuro. Endêmico da Mata Atlântica, está entre os 30 primatas em maior risco de extinção. Diante desse cenário, o município tem se tornado cenário de intensas ações de conservação da espécie, que enfrenta ameaças como tráfico de animais silvestres, hibridação com espécies de outras regiões e perda de habitat.

Museu de território lidera frente de conservação
O Centro de Estudos da Cultura Popular (CECP), por meio do projeto Ecomuseu dos Campos de São José, tem desenvolvido ações no território com foco na conservação do sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita) que incluem monitoramento populacional sistemático, captura e esterilização de espécies alóctones e de indivíduos híbridos, reflorestamento de áreas degradadas para ampliação de habitat, análises genéticas para identificação de espécies, além de atividades continuadas de educação ambiental com a comunidade local e escolas parceiras.
Para a realização das atividades, o Ecomuseu CSJ conta com o apoio da Prefeitura de São José dos Campos, da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e do Centro de Conservação do Sagui-da-Serra (CCSS), referência mundial na pesquisa da espécie. O projeto é realizado pelo Centro de Estudos da Cultura Popular (CECP) em parceria com a Petrobras, por meio  do Programa Petrobras Socioambiental.


Foto: Ecomuseu CSJ - Maiara Tissi

Recentemente, o trabalho de campo ganhou reforço com a doação de equipamentos especializados da Log Nature, empresa que trabalha com produtos, serviços e conhecimento científico voltados para projetos de conservação da biodiversidade. A Log Nature também apoia projetos ambientais em todo o país. Entre os itens cedidos, destaca-se um binóculo que tem sido utilizado nas atividades de monitoramento do Callithrix aurita e nas "Saguizadas" - encontros comunitários para avistamento de saguis e troca de informações sobre a relação saudável entre humanos e fauna silvestre.

        O equipamento permite a observação não invasiva dos animais, facilitando a identificação das características que diferenciam o sagui-da-serra-escuro das espécies alóctones (Callithrix penicillata e Callithrix jacchus) e dos híbridos presentes na região. Durante as Saguizadas, os participantes utilizam o binóculo para reconhecer os saguis.
        
Fotos: Maiara Tissi

Levantamentos ambientais ampliam compreensão do ecossistema

Além do binóculo, a Log Nature doou fitas sinalizadoras e uma rede de captura de insetos para o Ecomuseu CSJ. As fitas serão utilizadas na demarcação de trilhas educativas nos Núcleos de Educação Ambiental - APP Alambari, localizados nos bairros Vista Verde e Campos de São José, permitindo que grupos realizem observação de fauna e flora de forma organizada e com menor impacto para o local.


Fotos: Maiara Tissi

A rede de captura de insetos será empregada em levantamentos de espécies no Núcleo de Educação Ambiental - APP Alambari Florestinha, área de reflorestamento mantida pelo Ecomuseu CSJ. Os dados coletados contribuem para análises de qualidade ambiental e ajudam a compreender como o ecossistema está respondendo às ações de restauração, informações relevantes para a conservação do habitat do sagui-da-serra-escuro e de outros animais que vivem nas áreas verdes e parques do município.

Ecomuseu dos Campos de São José: reflorestando a trilha do Callithrix aurita

O projeto Ecomuseu dos Campos de São José está em sua quarta edição e tem como um de seus objetivos reflorestar a trilha do Callithrix aurita. O projeto atua diretamente em 28 bairros das zonas leste e sudeste de São José dos Campos e no município de Jambeiro, desenvolvendo ações de educação patrimonial, conservação de espécies nativas, reflorestamento e valorização dos saberes e fazeres locais.








01 abril 2026

Big Brother dos saguis de SJC - gestação e cuidado com os filhotes

 

    O sagui-da-serra-escuro, Callithrix aurita, é um dos primatas mais ameaçados do mundo e está aqui em São José dos Campos (SJC). Aliás, podemos chamar SJC de cidade dos saguis, pois até agora não foram registrados tantos indivíduos em qualquer outro município. Existem, todavia, muitos desafios para proteger essa espécie e conversaremos mais sobre isso depois.

Neste texto, falaremos sobre o cuidado dos saguis com os seus filhotes. Esses macaquinhos vivem até 7 anos em vida livre. A gestação dura 5 meses e nascem, geralmente, 2 filhotes gêmeos não idênticos. As fêmeas ficam prontas para ter filhotes por volta de 1 ano de idade e, os machos, com 1 ano e 3 meses. Os trabalhos científicos mostram que o C. aurita tem um sistema de organização social chamado poligínico, ou seja, em um grupo com fêmeas reprodutivas e dominantes há a inibição da ovulação das fêmeas subordinadas. Observamos esse padrão em alguns grupos na região da Pousada do Vale, com 4 a 11 indivíduos por grupo. Entretanto, registramos também uma novidade: em um grupo que habita a região do Serrote havia duas fêmeas que se reproduziram ao mesmo período.


E quem cuida dos filhotes? Mãe e pai? Não. Todos os indivíduos do grupo ajudam no cuidado dos filhotes! Depois de 15 dias do nascimento, eles deixam as costas da mãe e passam a “frequentar” as costas dos outros indivíduos do grupo até que consigam se locomover sozinhos, lá pelos 2 meses de idade. Frutos, cigarras, gafanhotos e outros itens alimentares apetitosos, que encontram nos trechos de floresta onde vivem, são entregues aos filhotes para sua alimentação e sobrevivência.


E o cuidado termina por aí? Também não. Mesmo se locomovendo sozinhos, os filhotes continuam sendo cuidados pelos adultos. Observamos na Pousada do Vale vários momentos de vocalização de alerta de perigo, seja pela presença de gaviões ou outras ameaças. Além disso, a prioridade para fuga e abrigo nos bambuzais mais fechados era dada aos adultos com filhotes. Nesta mesma região, percebemos que os filhotes se tornaram mais independentes por volta dos 5 meses de idade, quando já apresentavam algumas características de adultos. De  qualquer forma, os filhotes sempre ficavam próximos de adultos com os quais aparentavam maior afinidade.

No próximo episódio do Big Brother dos saguis de SJC, “O bicho vai pegar!”, falaremos sobre a territorialidade destes animais e das muitas disputas e brigas que presenciamos por pequenos fragmentos ou pedaços de mata da região, bem como pelas fêmeas reprodutivas. 


Até a próxima!

O projeto Ecomuseu dos Campos de São José é uma realização do CECP, o Centro de Estudos da Cultura Popular, com apoio da Prefeitura de São José dos Campos em parceria com a Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

TEXTO: Cleuton Lima Miranda e Nícolas Machado