Texto: Cleuton Lima Miranda; Gabriel Carvalho
Camargos; Nícolas Juan de Almeida Machado
A febre amarela voltou a preocupar em São
Paulo. E, quando esse assunto aparece, uma coisa precisa ficar muito clara:
macacos não transmitem febre amarela para as pessoas.
Eles são vítimas da doença, assim como nós. A
transmissão acontece pela picada de mosquitos infectados, principalmente dos
gêneros Haemagogus e Sabethes, que vivem em áreas de mata. Por
isso, matar, perseguir ou espantar macacos não protege ninguém. Pelo contrário:
além de ser crime ambiental, atrapalha o trabalho da saúde pública.
Na Mata Atlântica, os bugios ou guaribas (Alouatta
guariba clamitans) costumam ser os mais afetados pela febre amarela. Muitas
vezes, a morte desses animais é o primeiro sinal de que o vírus está circulando
em uma região. Por isso, eles são conhecidos como sentinelas da doença.
Outros macacos da Mata Atlântica também podem
ser afetados, como o macaco-prego (Sapajus nigritus), o sauá (Callicebus
nigrifrons), o muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides) e os saguis.
Em São José dos Campos, um deles merece bastante atenção especial: o
sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita).
Pequeno, discreto e ameaçado de extinção, o
sagui-da-serra-escuro ainda resiste em fragmentos de Mata Atlântica do
município. Mas essa resistência não é simples. A espécie já enfrenta a perda de
matas, o isolamento dos grupos, atropelamentos, contato com animais domésticos
e hibridação com saguis invasores de outras regiões do Brasil.
A febre amarela chega como mais uma ameaça. E
uma ameaça grave. Em populações pequenas, a perda de poucos indivíduos já pode
causar grande impacto. A morte de um grupo inteiro pode significar o
desaparecimento da espécie naquele fragmento.
Em São Paulo, há registros recentes de febre
amarela em humanos e em macacos. No ciclo atual de monitoramento, os casos
humanos confirmados ocorreram em municípios como Cruzeiro, Lagoinha, Cunha e
Araçariguama. Em São José dos Campos, até o momento, não há notificação atual
confirmada de febre amarela em macacos. Mesmo assim, o alerta continua. O CCZ
de São José dos Campos segue monitorando a situação.
A população também tem um papel importante. Se
você encontrar qualquer macaco morto ou muito debilitado não toque no animal.
Não recolha, não enterre e não tente levar para outro lugar. Afaste pessoas e
animais domésticos da área e acione imediatamente o CCZ ou os canais oficiais
de saúde.
Para as pessoas, a principal proteção continua
sendo a vacinação. A vacina contra a febre amarela é gratuita e está disponível
na rede pública de saúde.
Macacos não são inimigos. São vítimas da febre
amarela e ajudam a saúde pública a perceber quando o vírus está circulando na
natureza.
Proteger os macacos é proteger a Mata
Atlântica, a saúde pública e a vida silvestre de São José dos Campos.
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