05 abril 2026

Ações de conservação do sagui-da-serra-escuro em São José dos Campos

 

Foto: Ecomuseu CSJ - Rafael Augusto Silva

São José dos Campos abriga a maior população conhecida de Callithrix aurita, o sagui-da-serra-escuro. Endêmico da Mata Atlântica, está entre os 30 primatas em maior risco de extinção. Diante desse cenário, o município tem se tornado cenário de intensas ações de conservação da espécie, que enfrenta ameaças como tráfico de animais silvestres, hibridação com espécies de outras regiões e perda de habitat.

Museu de território lidera frente de conservação
O Centro de Estudos da Cultura Popular (CECP), por meio do projeto Ecomuseu dos Campos de São José, tem desenvolvido ações no território com foco na conservação do sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita) que incluem monitoramento populacional sistemático, captura e esterilização de espécies alóctones e de indivíduos híbridos, reflorestamento de áreas degradadas para ampliação de habitat, análises genéticas para identificação de espécies, além de atividades continuadas de educação ambiental com a comunidade local e escolas parceiras.
Para a realização das atividades, o Ecomuseu CSJ conta com o apoio da Prefeitura de São José dos Campos, da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e do Centro de Conservação do Sagui-da-Serra (CCSS), referência mundial na pesquisa da espécie. O projeto é realizado pelo Centro de Estudos da Cultura Popular (CECP) em parceria com a Petrobras, por meio  do Programa Petrobras Socioambiental.


Foto: Ecomuseu CSJ - Maiara Tissi

Recentemente, o trabalho de campo ganhou reforço com a doação de equipamentos especializados da Log Nature, empresa que trabalha com produtos, serviços e conhecimento científico voltados para projetos de conservação da biodiversidade. A Log Nature também apoia projetos ambientais em todo o país. Entre os itens cedidos, destaca-se um binóculo que tem sido utilizado nas atividades de monitoramento do Callithrix aurita e nas "Saguizadas" - encontros comunitários para avistamento de saguis e troca de informações sobre a relação saudável entre humanos e fauna silvestre.

        O equipamento permite a observação não invasiva dos animais, facilitando a identificação das características que diferenciam o sagui-da-serra-escuro das espécies alóctones (Callithrix penicillata e Callithrix jacchus) e dos híbridos presentes na região. Durante as Saguizadas, os participantes utilizam o binóculo para reconhecer os saguis.
        
Fotos: Maiara Tissi

Levantamentos ambientais ampliam compreensão do ecossistema

Além do binóculo, a Log Nature doou fitas sinalizadoras e uma rede de captura de insetos para o Ecomuseu CSJ. As fitas serão utilizadas na demarcação de trilhas educativas nos Núcleos de Educação Ambiental - APP Alambari, localizados nos bairros Vista Verde e Campos de São José, permitindo que grupos realizem observação de fauna e flora de forma organizada e com menor impacto para o local.


Fotos: Maiara Tissi

A rede de captura de insetos será empregada em levantamentos de espécies no Núcleo de Educação Ambiental - APP Alambari Florestinha, área de reflorestamento mantida pelo Ecomuseu CSJ. Os dados coletados contribuem para análises de qualidade ambiental e ajudam a compreender como o ecossistema está respondendo às ações de restauração, informações relevantes para a conservação do habitat do sagui-da-serra-escuro e de outros animais que vivem nas áreas verdes e parques do município.

Ecomuseu dos Campos de São José: reflorestando a trilha do Callithrix aurita

O projeto Ecomuseu dos Campos de São José está em sua quarta edição e tem como um de seus objetivos reflorestar a trilha do Callithrix aurita. O projeto atua diretamente em 28 bairros das zonas leste e sudeste de São José dos Campos e no município de Jambeiro, desenvolvendo ações de educação patrimonial, conservação de espécies nativas, reflorestamento e valorização dos saberes e fazeres locais.








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